Revista + Vida 27 | A saúde em primeiro plano

“SENTI-ME SEGURO E ACOMPANHADO NO MEU DIA A DIA”

Para Maria de Fátima Grenho, as diferenças entre as duas vagas foram colossais, inclusive nos tratamentos adotados. “Na mais recente vaga, através de publicações e casuística, aprendemos que podíamos tratar estes doentes recorrendo a terapêutica com corticoides e, eventualmente, a heparina de baixo peso, um anticoagulante eficaz na prevenção de fenómenos trombóticos.” Não obstante, a verdade é que se em março de 2020 até houve doentes que puderam ficar em casa com vigilância, o ano de 2021 trouxe situações mais graves. “Por vezes os doentes chegavam ao Atendimento Médico Permanente com saturações de oxigénio muito baixas, sem sequer terem noção de que estavam com dispneia (dificuldade respiratória). Apenas se queixavam de cansaço. As pneumonias também eram mais graves e, ao contrário do que aconteceu em 2020, tivemos de escalar a terapêutica com oxigénio antes de os doentes passarem para os cuidados intensivos.” João Froes foi um destes doentes. Com 66 anos e uma vida ativa, sempre se considerou saudável. Por isso, quando adoeceu com COVID-19, em conjunto com a mulher e um dos filhos, não se sentiu demasiado preocupado. Os sintomas do filho começaram num domingo; os de João e da sua mulher na terça-feira seguinte. “Todos sentíamos tosse seca, mas a minha mulher e o meu filho também tinham febre.” Os três tomaram paracetamol e, com a exceção de João, os sintomas foram melhorando e desapareceram em poucos dias. “Já o meu caso foi completamente diferente. Quase uma semana depois, a minha febre subiu para 38,5°C e comecei a sentir-me muito cansado. Entretanto, também já tinha começado a sentir alterações ao nível do paladar.” Com a sensação de fadiga a aumentar, ligou para a Saúde 24 e deslocou-se a um hospital lisboeta para fazer análises e um raio X. “Passei o resto dessa semana sempre com febre, que nunca baixava dos 38°C, cansado e sem me sentir bem.” Depois de quase desmaiar numa dessas noites, a sua família contactou o INEM. “Os bombeiros fizeram-me uns testes e disseram que os níveis de oxigénio não eram preocupantes, por isso decidi manter-me em casa.” No entanto, o seu estado de saúde teimava em não melhorar, pelo que a família acabou por levá-lo para uma reavaliação no Atendimento Médico Permanente do Hospital CUF Tejo. “Estava psicologicamente em baixo, porque tinha visto a minha mulher e o meu filho a terem um percurso completamente diferente, mas a minha expectativa era de que o médico se limitasse a alterar-me a medicação e me mandasse de volta para casa.” Não foi o que aconteceu. Quando chegou à unidade da CUF, João encontrava-se já com uma pneumonia bilateral e saturações de oxigénio muito baixas. “Quando o João deu entrada, tinha saturações de 70 (o normal é 98), mesmo com suplementação de oxigénio de três litros por minuto”, recorda Maria

de Fátima Grenho, que acompanhou o caso. “Nestes doentes, o que pretendemos é que estejam acima de 94-95, caso contrário entrarão em exaustão e precisarão de suporte respiratório”, explica a médica, recordando que “o valor baixo do João levou à necessidade de recurso a uma máscara de alto débito – que permite obter a concentração máxima de oxigénio (100%)”. João acabou por ficar nove dias internado na CUF. Além do apoio respiratório, o tratamento consistiu na administração de medicação para prevenir e combater a possibilidade de ficar imunodeprimido ou sujeito a infeções bacterianas, situações que podem ocorrer em doentes infetados com uma doença viral. “O grau de comprometimento pulmonar é que determina a evolução, mas existe uma janela, entre os oito e 12 dias de doença, em que a evolução pode surpreender, por isso estes doentes têm de ter um acompanhamento médico e de enfermagem quase constante”, indica Maria de Fátima Grenho. João Froes não poderia sentir-se mais satisfeito com a forma como foi assistido: “O serviço prestado foi excelente a todos os níveis. Senti-me seguro e acompanhado no meu dia a dia.”

João Froes • Doente tratado à COVID-19 no Hospital CUF Tejo

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