Revista + Vida 26 | Doenças do Futuro

“Em todas as crises se fazem avanços e se dão saltos na inovação. A humanidade é obrigada a isso” Helena Canhão

Helena Canhão, médica, investigadora e académica, convidada para lecionar a cátedra em Envelhecimento, nascida de uma parceria entre a CUF e a NOVA Medical School, fala dos desafios gerados pelo envelhecimento da população e alerta para a necessidade de se encararem as doenças do presente com os olhos postos no futuro.

Portugal caminha para ser o país mais envelhecido da União Europeia. No entanto, não é o país mais bem equipado para enfrentar esta realidade. Como aproximar estas duas variáveis? O prolongamento da vida é uma conquista da ciência e da medicina modernas. Em Portugal, já estamos com números muito semelhantes aos do norte da Europa em termos de sobrevida – 83 anos para as mulheres e 79 para os homens, em média. O que significa que há, de facto, uma cada vez maior percentagem de pessoas mais velhas. Mas isto traz-nos uma nova responsabilidade: que esses idosos vivam com qualidade. E isso é algo que ainda não estamos a conseguir. Quando nos comparamos com o norte da Europa, não há dúvida de que vivemos os mesmos anos, mas, no que respeita a qualidade de vida, os últimos cinco a dez anos de vida em Portugal são muito piores do que nesses países. É evidente que isso está relacionado com fatores socioeconómicos,

bem como com a saúde. Mas não só. Os suportes social e familiar são muito importantes para manter a qualidade de vida ao longo do tempo. Há desafios que são mais individuais e há desafios que são mais sociais. Os desafios para o indivíduo estão muito relacionados com a forma como viveu. E sabemos que, entre os 65 e os 70-75 anos, morrem muitas pessoas que tinham doenças, mas que, passada essa fasquia, as pessoas são muito mais saudáveis. Os mais resistentes vivem mais. Mas colocam-se desafios de outra natureza, mais sociais. Como permitir que vivam em casa sozinhos? Como evitar a institucionalização? Sabemos que as pessoas preferem viver nas suas casas. Como é que isso se faz? As casas estão adaptadas para as pessoas viverem sozinhas? Há poucos apoios, o que faz com que, no envelhecimento, as desigualdades cresçam muito. O desafio é: como conseguimos uma sociedade mais justa, que ajude as pessoas a envelhecer melhor?

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RICARDO LOPES/4SEE

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