Revista + Vida 26 | Doenças do Futuro

João João Mendes • Médico Internista e Intensivista no Hospital CUF Tejo

Como conter novas doenças A criação de equipas altamente diferenciadas, capazes de conter surtos onde estes se iniciam, terá, no futuro, um papel essencial na contenção de novas doenças, acredita João João Mendes. “É a forma de se conseguir evitar a propagação que transforma um surto local numa pandemia.” O médico dá como exemplo a contenção dos surtos de ébola ou do SARS-CoV-1, há alguns anos, antes de nomear aquele que acredita ser o grande desafio futuro da Infeciologia: “O controlo das bactérias multirresistentes e de microrganismos emergentes.” Para o superar, são fundamentais a redução do consumo de antibióticos e as medidas de controlo de infeção hospitalar (no caso das bactérias). Já no caso de vírus como o SARS-CoV-2, a solução passa por uma identificação e controlo mais precoces, já que a criação de fármacos antivirais

eficazes não é simples nem garantida em todos os casos. Outra forma de prevenção importante passa por respeitar o meio ambiente, já que muitas destas novas patologias são zoonoses emergentes, ou seja, doenças infeciosas comuns entre humanos e animais que ocorrem quando se quebra a barreira da espécie. “À medida que vamos entrando em espaços que habitualmente não são habitados pelo Homem, vamos fazendo emergir vírus que lá estão escondidos. Um exemplo característico é o HIV, que ‘saltou’ do macaco para o humano e, mais recentemente, a questão do ébola, que sempre existiu em zonas muito remotas de África e que facilmente ‘saltou’ para grandes centros urbanos. O que podemos fazer é tratar bem o planeta em que vivemos”, conclui.

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DIANA TINOCO/4SEE

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